Superação
A emoção de superar a Covid-19
Educadora infantil deixa o hospital depois de passar 41 dias intubada
Carlos Queiroz -
No começo da tarde desta quinta-feira (8), familiares, colegas e amigos não contiveram a emoção quando Valesca Echevengua, 47, surgiu no corredor do Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP), ainda fragilizada, após mais de 50 dias internada para o tratamento da Covid-19. Os aplausos e cartazes com mensagens de apoio como "sua força nos inspira" contagiaram o ambiente que por muitos dias foi de angústia e apreensão.
"É uma benção de Deus. Maria esteve na frente sempre. Eu precisei de leito teve, precisei da UTI teve. Foi Maria que me tirou disso", comentou a educadora infantil com os olhos cheios de lágrimas demonstrando sua fé. Para ela, a sensação é que foram apenas dez dias de internação, mas só o período em que ficou intubada levou 41 dias.
Valesca recebeu o diagnóstico positivo para o coronavírus no dia 8 de maio, véspera do Dia das Mães. Embora naquele momento não apresentasse sintomas, bastou uma semana para que precisasse buscar atendimento na UPA Areal. No mesmo dia foi encaminhada ao HUSFP para ser internada. Com o aumento da gravidade do caso, no dia 19 de maio, ela foi intubada.
Apreensão e gratidão de familiares
Os 52 dias em que Valesca ficou internada foram de apreensão para Douglas Ribeiro, 38. Marido da educadora infantil, conta que foi um período difícil por conta das poucas notícias que recebia, somente uma vez por dia. A falta de informação, somada ao nervosismo, mexeram com o psicológico do companheiro que só na última semana de internação conseguiu ficar ao lado da esposa, passado o período de intubação e liberado o acesso de acompanhantes. Agora, indo para casa, a emoção foi dupla, já que no mesmo dia da alta da esposa Ribeiro recebeu a primeira dose da vacina contra Covid-19. "Hoje fui abençoado duas vezes", comemorou.
Quem também acompanhou todo o processo de perto foi a irmã de Valesca, Rita Amélia Echevengua, 35. Ela lembra a apreensão de todos, principalmente da família com o estado de saúde da educadora. "Nosso sentimento é de gratidão a Deus e a todos os profissionais da saúde que atuaram na recuperação dela [Valesca], que apesar de todas as dificuldades, não mediram esforços para que isso acontecesse."
Até mesmo entre os profissionais, que lidam com casos graves diariamente, o final feliz da história significa uma vitória. "Para a gente é um momento de grande emoção. Passamos muito tempo junto com os pacientes, cuidamos com todo o carinho e ver ela sair daqui bem é muito gratificante", disse a técnica de enfermagem Jurema Barcelos Silva, que acompanhou a recuperação da educadora durante os últimos dez dias.
A saída do hospital, no entanto, ainda não significa recuperação total dos efeitos da Covid-19. A partir de agora, Valesca deve iniciar uma fase de acompanhamentos profissionais para restabelecer-se do trauma psicológico, além de dar atenção à recuperação física. Porém, nada que se compare à luta para deixar o hospital livre da doença e poder estar em casa novamente. "Tem muita coisa para focar, mas só dela estar aqui já é uma grande vitória", resumiu o marido.
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